sexta-feira, 10 de abril de 2009

Vibe de velho

Foto de Feliphe

Ontem eu escutei uma discussão e entrei dentro da sala onde estava acontecendo a discórdia.

- Isso é um absurdo!

- Como é que uma mãe pode fazer isso?

- Eu acho isso totalmente errado!

- Que falta de responsabilidade!

O motivo dos argumentos era sobre os pais do nosso cotidiano. A geração de pais deste contexto social, que tiveram filhos muito jovens, permanecem solteiros e causam mais que os filhos. Saem de balada, vão dar uma volta na quinta e só aparecem na segunda feira, muitas vezes consomem drogas, álcool e se vestem numa moda de 20 anos atrás.

Um caso particular levou a essa discussão que demorou vários minutos para acabar.

O que acontece e ninguém presta atenção é que realmente tem algumas pessoas que estão querendo viver a juventude aos 30, 40 anos e quem está sofrendo a conseqüência são os filhos que tem que se virar para não morrer de fome durante a viagem ‘uhullllllll’ dos seus responsáveis.

O jovem que fica ausente de atenção por meio destes pais fanfarrões na minha opinião pode ter dois caminhos: pode se revoltar e virar mais um ser imprestável na sociedade motivo de incompreensão e falta de compreensão ou pode aprender com os erros a sua volta e se tornar um adulto responsável e ser um bom representante da sua classe social.

Contudo, pensando bem mesmo na nossa realidade e como todo mundo adora se apoiar em muletas, a grande maioria das pessoas que passam por isso vão se apoiar nas desculpas para justificar todos os erros que cometer.

MORAL DA HISTÓRIA: Mais um monte de gente sem futuro no mundo...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Viro o que quiser

Foto de Fernando Freitas
Rua Cardeal Arcoverde /SP


Sonhei que estava na sala... Tudo estava normal, um sofá, um rack, uma guitarra encostada no canto, algumas plantinhas, os mais variados bibelôs dentre eles algumas lembranças de viagens.

Derrepente o ambiente se encheu de água. Quando percebi eu tinha mergulhado de cima do sofá e estava nadando no chão da sala que agora era o mar. O liquido estava tão turvo que fazia muito esforço para sair do lugar. De nadadora virei um barco, a embarcação própria, tinha um casco, um convés, uma proa e até uma âncora. Sentia a água bater em mim e balançava de acordo com a maré.

Quando cansava de ser barco subia em cima se sofá e mergulhava no chão de novo, nadava, virava barco e depois mergulhava de novo. Muitas vezes até eu perder a conta, até eu cair no sono no sonho e acordar na manhã do domingo para tomar banho e lavar os copos da noite anterior.

Sampa

Foto de Fernando Freitas
Rua Cardeal Arcoverde – Pinheiros / São Paulo

São Paulo é incondicionalmente o lugar que mais mexe comigo. Tem inumeráveis qualidades e infinitos defeitos.

Uma vez dentro desta cidade o seu tempo não lhe pertence mais! Afinal o jargão capitalista já diz: ‘tempo é dinheiro!’ Na prática significa correr o tempo inteiro, permanecer sempre atento, esperto e ágil!

Se locomover dá trabalho de todas as formas se você tem um carro seja ele importado ou antigo certamente terá que enfrentar horas de congestionamento. Analise pelo lado bom você pode ficar ouvindo algumas (ou muitas) boas e animadas músicas até sair do lugar. No caso se for de metrô terá que enfrentar um risco de vida diário nas plataformas, ou você quase morre caindo nos trilhos ou quase morre sufocado no vagão. Para quem anda de trem a paciência é fundamental já que a lerdeza é para fazer qualquer um surtar, não esquecendo que quem sai cedo de casa perece no aperto também.

Após a semana estressante da correria empresarial há os merecidos happy hour‘s. As baladas são de todas as cores, escuras, claras, brilhantes, etc. Existem bares cheios, vazios, chiques e bregas. Quem freqüenta é de todo jeito: gente feia, pobre, rica , bonita, etc. Elas consomem drogas, drinks, cervejas, tábuas de frios e tudo o resto que estiver disponível.

A cidade é cheia de riqueza! Há mansões que valem milhões, carros igualmente caros, grifes, marcas personalizadas, restaurantes e hotéis para poucas e selecionadas pessoas entrarem. Festas com celebridades famosas nacional e internacionalmente. Os vinhos são importados e as prostitutas também! Sem dúvida um lugar para poucos!

A desgraça humana também rodeia metrópole. Entretanto, a deixarei de fora deste texto...

Tantos motivos para ficar e tantos para ir embora, mas a cidade hipnotiza, transforma, apaixona e é por isso que nós retirantes insistimos em vir para cá e fazer parte dela!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cinco centavos... Dez centavos... Um pacote de bolacha...

Foto de Fernando Freitas
Praça Antonio Prado – SP


Hoje eu estava indo para faculdade e vi de novo uma moradora de rua que fica na Silva Bueno no bairro Ipiranga onde trabalho. Ela estava deitada em cima de um monte de roupas e cobertores ao lado de um poste, folheava um catálogo com um olhar bem triste.

Na minha mente hiperativa já veio uma guerra de pensamentos praticamente ao mesmo tempo:

PENSAMENTO 1: 'nossa por que será que ela está com esse olhar tão triste?'

PENSAMENTO Nº 2: 'porra Derla! Ela está no meio da rua, daqui a pouco pode chover pra cacete, não tem lugar para tomar banho nem banheiro e por fim ela nem deve saber o que vai comer hoje antes de ir dormir!'

Fiquei fritando como será que ela tinha virado moradora de rua, se tinha parentes, etc. Quando eu vejo alguém em situação similar começo a refletir uma série de coisas na minha vida. De como o mundo e as pessoas são hipócritas.

Se vejo uma criança vendendo bala no trem até tarde da noite ou no farol passando por todo tipo de situação para ganhar alguns trocados paro e tenho sempre a mesma vontade: ir onde tal criança mora pra saber o porque dela estar ali faltando em aulas, deixando de se divertir e perdendo sua infância. Porque na minha opinião passar o dia correndo de fiscal na estação de trem não é uma ocupação de qualquer criança.

Hoje cedo estive em São Bernardo e vi uma senhora na rua com uma bacia cheia de caixas de remédios e pedindo segundo ela "uma caridade...' De onde saiu essa pessoa? Porque ela está ali no Sol, no chão, na miséria, na humilhação (sim! Por que não?) ?

Na realidade a hipocrisia se mistura ao medo. As pessoas não estão nem ai! Viram a cara para não ver a ferida da perna do outro que está pedindo uma moeda... Não faço parte dessa massa de despreocupados eu me importo e me entristeço por não poder fazer quase nada.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O mundo é dos espertos

Foto de Angel Raul Ravelo Rodriguez

E digo mais: dos esforçados!

Por semana eu entrevisto cerca de 100 pessoas, geralmente entre os 16 e 35 anos. Toda seleção que faço eu me revolto e não vejo a hora acabe. O que acontece é que aparece um monte de gente despreparada, desqualificada e tudo o que você pode imaginar.

Eu fico impressionada quando entrevisto moças de 25 anos que tem três filhos (sendo o mais velho de 10 ou até 12 anos), nunca trabalharam com registro e o marido faz ‘bicos’. Também tem o pessoal que acabou de desembarcar no Tietê e não tem a mínima noção do que é o tal ‘mercado de trabalho’ em São Paulo. Dentre outros infinitos exemplos de pessoas que não conseguem sequer desligar o celular na hora da seleção.

- Onde você já trabalhou?
- ‘Trabalhei na blá blá blá e lá na blá blá blá...’
- Por que você saiu da última empresa?

SEMPRE AS MESMAS RESPOSTAS:
- ‘Porque a empresa faliu...’
- ‘Porque acabou o serviço...’
- ‘Porque eles queriam que eu fizesse o que não era minha obrigação...’
- ‘Por causa da crise....’ (esse é o argumento da moda nas últimas dinâmicas)

Eu tenho 21 anos, curso o terceiro ano de uma faculdade extremamente cara (que eu pago sozinha), já fiz 1 ano de estágio numa assessoria de imprensa enorme e ainda por cima tenho um cargo de supervisão de um setor inteiro... Ai eu penso: o que eu fiz de diferente?

As pessoas querem um emprego, mas não querem trabalhar! O meu primeiro emprego foi aos 14 anos quando eu atendia numa barraca de pastel na feira, aquela mesma que você vai no sábado comer um pastel de frango e tomar um caldinho de cana. Acordava às 04h30, ficava com o pé molhado caso chovesse e fedia a óleo.

O segundo emprego aos 15 anos foi num Pet Shop e eu ganhava R$ 150,00 por mês. Ficava com o pé molhado (de novo) além de todo o resto do corpo molhado de tanto dar banho em cachorro, tomava mordida e fedia a cachorro.

Depois entrei para o ramo de Telemarketing onde estou até hoje. O ano mais punk da minha vida se tratando de trabalho foi o ano passado quando tinha 2 empregos. Entrava às 6h00 no meu estágio (domingo a domingo) saia às 13h00 e entrava no meu emprego nº 2 às 13h30. Passei uns 4 meses almoçando uma rosquinha de bolinho de chuva coberta de açúcar que custa R$ 0,60 muitas vezes comia porque não dava tempo e muitas porque não tinha dinheiro. Dormia por volta de 4 horas por noite já que chegava tarde depois da faculdade. Passava mal de tanto sono que dava até desespero de não poder dormir e ser obrigada a ficar acordada.

O que sempre digo par mim mesma é: ‘quem disse que ia ser fácil?’

Eu acho revoltante quando vejo uma pessoa que teve as mesmas possibilidades do que eu e as desperdiça e só se preocupa em fazer filho na vida. Ninguém quer trabalhar feito um filha da puta para pagar uma faculdade e ser alguém na vida. É muito fácil você encostar a cabeça num ônibus e falar que a culpa é do Lula ou do José Serra quando não se tem o mínimo de vontade de crescer e querer tudo na mão. Sabe o que realmente penso? Que se tive a capacidade de vir de Várzea Alegre e ser alguém na vida aqui, qualquer um pode ser alguém, pode arrumar um bom emprego, pode fazer um currículo que preste, pode usar camisinha, pode desligar a porra do celular numa dinâmica e pode parar de mentir que a última empresa faliu e assumir que a culpa foi da própria pessoa que não tem nem qualificação pra ganhar um salário mínimo!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Deitados numa banheira de gelo

Foto de Nancy Stockdale

Houve uma época na minha vida (ano de 2008) em que eu me deparei com vontade de ir a um bar ver alguma banda ao vivo e tomar algumas cervejas e pensei "não tem ninguem que eu queira ou que sirva pra ir comigo".

Sou estremamente exigente com as minhas amizades! Fiquei um ano sem sair sequer para ir a um buteco na esquina, nem eu sei como consegui tal proesa, só sei que nunca mais faço isso. A culpa era de um vegetal a qual fiquei presa até o meio do ano passado.

Para resolver esse problema eu criei dois grupos no meu msn e adicionei umas cem pessoas. Como faltavam alguns dias para a festa do meu aniversário e ninguem dos meus amigos estavam afim de ir eu convidei meus amigos internautas... A festa lotou de gente que nunca tinha me visto pessoalmente e foi até engraçado, pois os convidados não sabiam que tinham tanta coisa em comum.

O ponto é: às vezes se está só e suas amizades não tem quase nada em comum com você e alguem totalmente aleatótio perdido na terra de ninguem que é a internet lhe completa mais do que os outros que moram ao lado da sua casa, que te vêem todos os dias no trabalho, na faculdade ou num curso e não compartilham da mesma filosofia de vida e nem dos mesmos interesses.

Um dos exemplos que encontrei é o Wagner Nunes que é um fantástico Programador e que teve os mesmos problemas familiares que os meus. Através dele conheci o Fred Heitmann que é um Estatístico do Itaú e é outra pessoa maravilhosa. O que eu mais gosto neles é a perspectiva de vida que eles tem. O Engenheiro da Computação Eduardo Zimerer que tem um humor negro pior do que o meu e é estremamente engraçado é uma pessoa que não largo por nada assim como o desenhista Felipe Jaça que além de engraçado também tem paciência pra me aturar quando estou de TPM.

Conheci inúmeros músicos e o mais importante deles é o meu namorado Rodrigo Marini que é Programador e guitarrista da banda Chakra. Aliás, esse merece uma consideração especial, nunca imaginei que fosse me apaixonar tanto por uma pessoa que nunca vi. O conheço a seis meses e já viajamos três vezes. Tudo é estremamente intenso e impressionante, não sei o que teria feito todos esses meses se não o tivesse conhecido.

A rede proporciona incontáveis possibilidades e oportunidades. Não me faltam mais amigos para fazer qualquer programa, desde de um show de rock até uma luta de Muay Tai. Óbviu que tem que se tomar um certo cuidado para não parar numa banheira de gelo, por que nunca se sabe se você está conversando com seu próximo melhor amigo ou com algum traficante de orgãos. No meu julgamento não custa nada tentar!

terça-feira, 3 de março de 2009

Desenvestimento de patrimônio



Igreja São Francisco de Paula que está fechada para visitação

Estive em Ouro Preto na semana do carnaval. Realizei um grande sonho que era conhecer um dos maiores acervos de arte Barroca do Brasil. A cidade é linda, confesso que as ladeiras são bem desanimadoras... Os moradores são muito receptivos e há muitissimos estrangeiros que vem pelo mesmo motivo que o meu... A comida mineira é um caso a parte... Principalmente a que comi no restaurante Boca da Mina.

Contudo, nada é tão perfeito, nem a economia dos EUA quanto dirá essa cidade. A critica entretanto não é para ela e sim para o investimento que o gorverno federal faz. Estive em todas as igrejas, capelas, pontes, chafarizes, museus e casas históricas e o que encontrei foi um descaso para com um dos patrimonios mundiais. Muitas das "atrações" estavam fechadas por risco de desabamento do teto.

Em toda a cidade eu vi duas obras do governo federal em uma igreja e outra num casarão.

Fui numa quitandinha comprar alguns limões para fazer uma caipirinha, o lugar tinha no máximo uns dez metros quadrados e quase nenhuma variedade de frutas e legumes. Não ficou para traz o mercadinho que visitei que de tão bagunçado as pessoas até evitavam entrar. Guardadas as proporções da cidade e todos os argumentos que alguém já esteja pensando isso não justifica nada. O governo deveria estimular e ajudar na estruturas destes pequenos comércios, não é preciso que o Carrefour monte uma filial lá, mas o minimo de organização é necessário para aumentar ainda mais o turismo na cidade.